Reitoria da UNIRIO persegue trabalhadores da universidade

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22 (2)Nos últimos dias nosso mandato recebeu uma denúncia de perseguição contra servidores da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

São profissionais que participam da luta em defesa da universidade, através da Associação dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (ASUNIRIO). Vale ressaltar que os três são militantes do PSOL.

Em discurso no plenário da Câmara Municipal, o vereador Renato Cinco fez uma leitura da carta enviada pela ASUNIRIO. Veja a íntegra do discurso:

Confira abaixo a íntegra do documento:

Companheiras e Companheiros.

Após uma dura resistência contra a cessão do hospital universitário Gafrée e Guinle para a EBSERH em ad referendum, a reitoria da UNIRIO assumiu uma política de criminalização dos movimentos dos estudantes e dos técnicos administrativos. Contra os estudantes, ameaçou abrir PADs para algumas lideranças do DCE e permitiu a demolição da Casa da Bruxa, espaço conquistado pelos estudantes nas últimas greves do setor. Contra os técnicos administrativos, abriu três PADs de rito sumário visando demitir dois coordenadores gerais e um dos coordenadores de políticas sindicais e comunicação.

Os Processos Administrativos se motivam pela caluniosa denúncia de abandono de cargo ou inassiduidade habitual. Os três dirigentes classistas encontram-se plenamente em atividade, exercendo as atividades sindicais, de conselheiros e membros de comissões, através da regulamentação proposta pela PROGEPE em maio de 2015 para exercício de mandato classista, que vinha regimentar memorando pregresso do reitor, que entendia o exercício das atividades inerentes ao cargo de dirigente sindical como atividades necessárias ao andamento da universidade.  O documento da reitoria foi lido em assembleia do CNG-FASUBRA em Brasília na greve de 2015 e ovacionado pelo imenso avanço que significava para a organização sindical.

Em janeiro de 2016, entretanto, após intensa resistência dos três segmentos, o reitor retrocedeu em sua decisão e permitiu a abertura dos três processos administrativos com rito sumário. A demissão dos três diretores representará um grande retrocesso para organização do sindicato dos trabalhadores em educação da UNIRIO; e ameaçará toda a luta na FASUBRA, nos SPFs e dos trabalhadores brasileiros.

Ressaltamos que os três dirigentes são muito combativos e estiveram presentes nas plenárias da FASUBRA, CONFASUBRA e CNG-FASUBRA com grande atuação desde que foram eleitos para exercer o mandato classista. Construíram com empenho a greve de 2015. São os companheiros Bruno Cruz (coordenador geral), Marcelo Silva (coordenador de políticas sindicais e comunicação) e Rafael Mello (coordenador geral). Vale ressaltar que os três são militantes do PSOL, onde também atuam através de sua militância e ajudam a construir o partido.

Para cada um foram abertos processos administrativos- disciplinares, com a acusação de indícios de abandono de emprego ou inassiduidade habitual. Com o agravante do companheiro Marcelo, afrodescendente, ter sido humilhado em público por sua chefia imediata com gritos além de ser comparado a empregada doméstica da mãe da docente que o coordenava. A docente tentou convencê-lo de que ambos têm os mesmos deveres e deve agir de modo análogo de obediência a primeira em relação a sua genitora e o servidor, a ela. Desde então a chefia pediu a remoção de Marcelo e o impediu de comparecer ao setor enquanto a remoção não fosse consolidada, retirando dele o acesso ao ponto. Já o companheiro Rafael ficará sem salário a partir do mês que vem e teve seu ponto confiscado desde março do ano passado, quando pediram uma segunda via para não assinar o ponto preenchido pelo servidor. O companheiro Bruno também está sem salário a partir do mês que vem e não tem acesso a sua folha de ponto. Vale deixar claro que os companheiros nunca tiveram a intenção de se ausentar do setor, tais medidas foram necessárias devido as suas atuações dentro da universidade, bem como se tentou o caminho da negociação com a chefias imediatas para adequação do horário no setor e para o cumprimento das demais atividades (mandato classista, comissões, conselhos e reuniões da categoria), o que não foi compreendido e aceito pelas chefias, gerando todo o conflito atual. Outra questão é que os companheiros estavam em estágio probatório ano passado. Dos 3, 2 já completaram 3 anos (Rafael e Marcelo). Sendo que as avaliações ainda não foram feitas.

Isso é para dar um pouco do panorama de perseguição que esses companheiros estão sofrendo e devido a sua vanguarda e linha de frente nos movimentos de luta da ASUNIRIO, da UNIRIO e do Rio de Janeiro, que os poderes instituídos não aceitam serem contestados. O drama que isso causa na vida pessoal dos três é inenarrável (um companheiro tem uma filha de apenas 1 ano e um filho de 7 anos; outro está com a esposa adoentada e piorando devido a essa angústia; e a mãe do outro vem passando mal constantemente, desde que soube do fato), mas os companheiros estão resistindo bravamente.

Esse é um ataque não só aos três, mas à ASUNIRIO, à Fasubra, à categoria dos Técnico-Administrativos, a todo movimento sindical e de luta, e aos trabalhadores, de um modo geral. Por isso, vimos solicitar um apoio da Fasubra e seus sindicatos filiados, do PSOL (principalmente seus parlamentares, mas também sua militância), pois ambos são bases atuação dos companheiros, porém solicitamos apoio dos demais partidos, organizações e sindicatos (PSTU, PCB, ANDES, CSP-Conlutas, CUT, CTB, SINASEFE, FENASPS, etc.) para intervenção política e jurídica (junto ao MEC, Reitoria da UNIRIO e advogados) nesses casos, e também apoio financeiro para inimizar o drama pessoal que os companheiros estão passando sem ter remuneração para honrar seus compromissos e sobreviver. Os apoios são fundamentais, posto que a luta é bem desproporcional. Os gestores têm armas fortíssimas nas mãos para atacar e acabar com a vida funcional dos companheiros e os silenciando da luta interna que é feita na UNIRIO. Sem falar que não podemos deixar precedentes como esses serem abertos, pois pode virar efeito cascata de criminalização da luta e dos que lutam, atingindo a todos os sindicalistas, de todas as correntes e partidos, bem como qualquer um que lute por direitos.

Esperamos mais rápido possível ajuda e retorno dos companheiros e companheiras.

Abraços, saudações sindicais e socialistas,

Coordenação Geral

Associação dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – ASUNIRIO

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