Precisamos debater a desigualdade social

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As cenas de violência na orla do Rio de Janeiro dominam as conversas nos lares, nos ambientes de trabalho e nas redes sociais. Neste caldeirão de ideologias e sentimentos, surgiu uma divisão na sociedade, com a “culpa” da criminalidade sendo jogada em cima dos moradores da periferia que usam o ônibus para chegar à praia.

A situação se agrava com a organização de “justiceiros”, criminosos que aparecem com o pretexto de garantir a paz. Prometem atacar com facas, porretes e armas de choque qualquer “grupo suspeito” que entrar na Zona Sul.

Com tantos discursos de ódio e “soluções” emergenciais, o importante debate sobre a desigualdade social ficou esquecido. “Enquanto não enfrentarmos o problema da desigualdade, veremos as autoridades e parte da população dando a resposta da segregação. Uma segregação cada vez mais forte, cada vez mais violenta. Uma segregação imposta pela ação do Estado e cada vez mais imposta pela ação de grupos de justiceiros.”, declarou Renato Cinco em discurso no plenário da Câmara.

Veja o discurso completo:

Cinco também criticou o argumento do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, para justificar a abordagem da polícia. Beltrame considera suspeito o jovem que sai da periferia e vai para a praia sem dinheiro da passagem e da alimentação.

“O rico vai para a praia de bermuda e chinelo, sem um real no bolso. Qualquer um que vá à praia de bermuda, chinelo e nenhum real no bolso está indo para a praia para cometer crimes? Isso é a criminalização da pobreza!”

Essa rivalidade revela uma ausência de reflexão coletiva sobre quem são os verdadeiros responsáveis pela desigualdade social no Brasil.

“Quem conhece os que compõem a alta burguesia sabe que nos finais de semana eles pegam jatinho ou helicóptero e vão para Búzios, para o Condomínio Laranjeiras, em Parati, vão para o Caiçaras, para o Clube Naval. Eles não vão para a praia! Os responsáveis pela desigualdade social que muitos jovens da periferia querem incomodar, durante o final de semana, não estão na praia! E esses jovens que se preparam com paus e pedras, como se fossem as elites se defendendo dos pobres, também não pertencem às elites! São apenas um pouco menos pobres do que aqueles que eles pretendem agredir”, explicou Cinco.

Infelizmente, o verão promete outros finais de semana de agravamento desta tensão.

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