Plenária por uma Frente de Esquerda Socialista

Compartilhar:

44Uma das principais características da crise política nacional é a forte disputa entre o bloco governista e a oposição de direita. Entretanto, nenhuma das duas pontas desse “Fla x Flu” representa uma alternativa real de transformação social, vinculada aos interesses imediatos e históricos dos trabalhadores e da juventude. Nesse contexto, surgiu o movimento pela formação de uma “Frente de Esquerda Socialista”, que reúna todos os setores que estão na oposição de esquerda, rejeitando tanto o impeachment quanto o governo Dilma.

No dia 23 de março, a primeira plenária desse movimento reuniu cerca de 500 pessoas, demonstrando que existe espaço para a construção de um terceiro campo. A próxima será realizada na terça-feira (12), às 18h, na UERJ.

Evento no facebook

O movimento pela “Frente de Esquerda Socialista” foi impulsionado a partir de um documento, assinado por diversos intelectuais, militantes de correntes políticas e ativistas dos movimentos sociais.  O vereador Renato Cinco é um dos signatários. Leia o texto:

Manifesto dos militantes independentes por uma Frente de Esquerda e Socialista

Vivemos hoje uma situação política e social ímpar no país. A crise econômica mundial, longe de ser uma marolinha, vem afetando cada vez mais a vida dos trabalhadores e da juventude com diversos cortes na saúde, educação, previdência e piorando as condições de vida da população. Temos um governo que foi criado e eleito pela classe trabalhadora, mas que não representa as necessidades do povo brasileiro e que vem mostrando a cada ação que o seu lado é dos banqueiros e grandes empreiteiros (entrega do pré-sal, lei antiterrorismo, ajuste fiscal e um longo etc). E temos uma oposição burguesa e completamente reacionária (Aécio Neves, Eduardo Cunha e companhia) que se utiliza de todos os meios para enfraquecer esse mesmo governo, como se fossem defensores da justiça e aliados do povo brasileiro, mas que na verdade querem apenas retomar o controle do país para eles mesmos aplicarem o ajuste fiscal.

Infelizmente, as organizações tradicionais da classe trabalhadora e da juventude (CUT, CTB, UNE e UBES), ao invés de lutarem contra o governo, acabam buscando protegê-lo contra essa oposição de direita, afirmando que “quem não fizer o mesmo estará jogando água no moinho da direita”. O problema é que no meio dessa “polarização” os trabalhadores e a juventude continuam vendo sua vida piorar a cada dia e acabam mostrando uma incrível disposição de luta e de resistência, seja contra a direita tradicional, como no caso dos secundaristas de SP que ocuparam as escolas contra Alckmin, seja contra o próprio governo, como no caso da heróica greve dos petroleiros de 2015 e da Educação em 2016. E não acaba por aí! A força da nossa classe vem dando vários sinais que não está mais disposta a aceitar as traições das suas antigas e acomodadas direções, mostrando que não vão aceitar calados e sem resistência a retirada de direitos e que lutarão com todas as forças, seja através do movimento sindical, estudantil ou contra as opressões.

Nesse mesmo processo, uma parte importante da esquerda se mantém ao lado dessas lutas e lutadores, denunciando ao mesmo tempo a oposição de direita, ou denunciando o próprio governo federal. É o caso de organizações como o PSOL, o PCB, o PSTU e o MTST, além de entidades independentes dos governos como a ANEL, a CSP-Conlutas, a própria oposição de esquerda da UNE, a Intersindical, além de diversos sindicatos e coletivos independentes.

O problema é que, ainda hoje, nenhuma dessas lutas, organizações ou entidades conseguem por si só fazer frente ao governismo ou a oposição de direita. Isso causa a impressão de que a polarização que existe hoje em nosso país é entre PT/PCdoB e PSDB, quando na verdade todos aqueles que estão na luta cotidiana sabem que a real polarização é entre a burguesia e a classe trabalhadora, entre os ricos e a periferia, entre os opressores e oprimidos. Nesse sentido, nós, ativistas independentes e socialistas, achamos que se faz não só necessária, mas urgente a criação de um polo de esquerda, independente do governo e da direita, que esteja comprometido com a real luta em curso no nosso país. Uma frente não apenas sindical ou eleitoral, mas um real polo de luta política, que mantenha a independência das organizações e entidades. Que seja capaz de aglutinar e fortalecer cada uma das muitas lutas em curso em nosso país, formando espaços unitários nas diversas regiões do Brasil para organizar as mais diversas formas de lutas, oferecendo uma alternativa para todos aqueles que não estão mais dispostos a aceitar as traições do PT, nem a cara de pau e hipocrisia da oposição de direita.

A ausência de uma Frente que organize os lutadores abre espaço para que os vencedores dessa crise política e social em nosso país sejam os que estão a serviço da burguesia e que toda uma geração que está despertando com todas as forças volte para casa conformada. Nesse sentido, para vencermos, devemos superar discursos auto proclamatórios, divergências políticas menores, o sectarismo e o oportunismo como entraves para a nossa luta e contribuir com a organização, unificação e polarização destes ativistas. Sabemos que existem inúmeras diferenças entre as organizações e entidades que formam a oposição de esquerda ao governo federal, mas acreditamos que acima dessas diferenças existem grandes acordos. Todos nós sabemos que a saída não está no governismo do PT e muito menos na volta da direita tradicional ao poder. Os únicos que podem falar em nome dos oprimidos e explorados são eles próprios. Porque então não formarmos espaços mais amplos possíveis para lutarmos juntos? Que discutamos as nossas diferenças no interior de nosso movimento de maneira democrática, mas que sirva para organizar a luta! Acreditamos que esse é o único caminho possível para combater Dilma, Aécio, Cunha e todos aqueles que se colocam a serviço da classe dominante! Vamos criar uma alternativa real mais ampla!

Página no facebook: https://www.facebook.com/frentedeesquerdaclassistaesocialista/

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *