O show de horrores do impeachment

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11Muitas referências a Deus, às famílias e aos eleitores dos parlamentares; poucas ao que de fato estava em discussão. Assim transcorreu, no último domingo (17), a votação da Câmara Federal que deu prosseguimento ao processo de impeachment da presidenta Dilma. Só o fato da sessão ter ocorrido em um domingo e contado com praticamente a participação de todos os deputados – foram 511 de 513 – já é algo que chama atenção. Ou pelo menos deveria. Segundo dados do site Congresso em Foco, apenas 19 parlamentares foram a todas as sessões ocorridas esse ano – isso porque a assiduidade aumentou em 2016.

Entre os presentes estava, por exemplo, Wladimir Costa (Solidariedade/PA), que virou hit na internet pelo rojão de confetes que estourou durante a sua fala na madrugada de sábado. O deputado em questão está em seu quarto mandato – era do PMDB – e conquistou o “título” de mais faltoso de 2015: das 125 sessões, participou de apenas 20. Já Washington Reis (PMDB/RJ), diagnosticado com gripe H1N1 e com um cateterismo realizado na semana passada, esteve no plenário acompanhado de equipe médica e foi o primeiro a declarar voto por conta da sua condição. Ambos foram favoráveis ao prosseguimento do impeachment. 
 
Mas o destaque do domingo foi, sem dúvida, o show de horrores protagonizado pelos parlamentares. Nos dez segundos utilizados para a declaração de voto foi possível assistir a extrema despolitização do debate, pois foram poucos os que falaram sobre o que de fato  tratava a votação.

Além das declarações desastrosas e fora de contexto, o clima criado no plenário certamente contribuiu para esse espetáculo. O machismo e a misoginia se expressaram em diversos momentos: desde a deputada que era chamada de “linda” pelos colegas, enquanto proferia seu voto, até outra vaiada por estar em licença maternidade e, por isso, ser umas das (poucas) ausentes. Deputados que apresentaram votos contrários ao impeachment foram vaiados durante suas falas e os favoráveis ovacionados, mesmo que estivessem dizendo absurdos. Homofobia, discursos de ódio e apologia a crimes de tortura também marcaram presença.

Em discurso no plenário nessa terça-feira (19), Renato Cinco aproveitou para dar visibilidade para o que já era um consenso entre muitos: a boçalidade de Jair Bolsonaro que, em sua fala de domingo, homenageou a ditadura militar e o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra – o “pavor de Dilma”, como fez questão de destacar. Ustra foi chefe do DOI-CODI (órgão de repressão) e comandava sessões de tortura. Em 2008, foi o primeiro oficial condenando por crimes de sequestro e tortura. Foi o terror de muitos presos políticos da época, como pode ser visto em diversos relatos.
 
"Boa parte da população descobriu estarrecida o nível dos nossos parlamentares. Até mesmo defensores do impeachment ficaram enojados. Por mais incrível que possa parecer, o circo dos horrores teve um campeão claro e evidente. O mais boçal de todos os deputados federais do Brasil, sem sombra de dúvida, é o Jair Bolsonaro. Foi o único parlamentar que teve coragem de elogiar o gângster presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha; citou um torturador da ditadura militar, um homem que estuprava mulheres e torturava crianças; citou o golpe de 64", afirmou Cinco.

Veja o discurso na íntegra:

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