Não será por 20 centavos em 2014!

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O prefeito Eduardo Paes (PMDB) anunciou que o preço das passagens de ônibus no Rio de Janeiro vai aumentar em janeiro do ano que vem. O valor ainda não foi definido, mas especula-se que fique em torno de R$3,00.

O aumento no transporte público normalmente ocorre no começo do ano. Entretanto, no ano passado o ministro da fazenda, Guido Mantega, pediu que os prefeitos das capitais segurassem o aumento para ajudar a conter a alta da inflação.

O pedido foi atendido e o reajuste ocorreu em maio de 2013, num período em que o calendário escolar está a todo vapor e muitos trabalhadores estão na ativa.

Os 20 centavos trouxeram a tona todas as insatisfações da população, seja em relação ao transporte, à saúde, ou à educação. Ficaram claras as prioridades dos governos: havia verba pública para os megaeventos, mas não para os direitos sociais. Conclusão: o aumento levou uma multidão às ruas. Após os protestos, o preço foi reduzido para o valor antigo, de R$ 2,75.

O recuo no preço e a truculência policial foram as únicas respostas dos governos às manifestações.

O novo anúncio mostra que Eduardo Paes (PMDB) não aprendeu nada com os protestos e continua surdo aos apelos das ruas. É, na verdade, um bom ouvinte dos interesses empresários de ônibus.

O fato é que a prefeitura nunca mostrou as planilhas dessas empresas, que todos os anos fazem gordas doações às campanhas dos partidos governistas.

Em setembro deste ano, o mandato do vereador Renato Cinco (PSOL) apresentou o Projeto de Lei 431/2013, que retira o controle do transporte coletivo municipal da iniciativa privada e estabelece a gratuidade nos ônibus do município. A Tarifa Zero já existe em pelo menos quatro cidades do país: Porto Real, no Rio de Janeiro; Paulínia e Agudos; no interior de São Paulo; e Muzambinho, em Minas Gerais.

Em dezembro deste ano, ao apagar das luzes, a Comissão de Justiça e Redação da Câmara declarou o PL 431/2013 inconstitucional.

A Tarifa Zero é uma realidade possível. A gratuidade do transporte público desestimula o uso de carros e, consequentemente, os engarrafamentos. Além disso, reduz a emissão de gás carbônico na atmosfera. Beneficia centralmente as parcelas mais pobres da população, que enfrentam horas de deslocamento das periferias aos postos de trabalho.

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